Diretora e elenco revelam os bastidores da nova visão sobre a icônica figura do cinema, focando na perspectiva da criatura e em temas como autodescoberta e liberdade.
Maggie Gyllenhaal traz uma perspectiva inédita para a clássica história de Frankenstein em A Noiva!, filme que coloca a figura feminina no centro da narrativa. Inspirada pela brevidade e impacto da personagem na obra original de 1935, Gyllenhaal convidou Jessie Buckley para dar vida a uma versão mais autêntica e “punk” da Noiva, que se une ao Monstro de Frankenstein, apelidado de Frank e interpretado por Christian Bale.
A jornada da Noiva: Descoberta e autenticidade
Jessie Buckley descreve sua personagem como alguém em uma “jornada de descoberta”, que passa por momentos de vulnerabilidade e sentimentos complexos para alcançar seu eu mais autêntico. “Isso é descoberto com o amor. O Frank não se cansa dela”, afirma a atriz, ressaltando a força dessa conexão. A diretora Maggie Gyllenhaal complementa, explicando que a Noiva, ao nascer como uma mulher adulta, não possui os filtros sociais que limitam as outras pessoas. “Ela tem um tipo de liberdade que não sei se qualquer uma de nós pode sentir da mesma maneira, quase super-heroína”, observa Gyllenhaal, vendo a personagem como uma inspiração para abraçar quem somos.
Frankenstein: Reinvenção e a busca por um futuro
Christian Bale interpreta um Frank paralisado pela culpa, remorso e solidão, atormentado pelos erros cometidos em sua imaturidade. A chegada da Noiva, segundo Bale, representa a possibilidade de um futuro para Frank, alguém que “não permite que o passado diminua a luz dentro dela”. O ator destaca que o filme é, em grande parte, sobre reinvenção, permitindo que Frank siga em frente sem repetir os erros do passado. Gyllenhaal também pontua que o amor entre os personagens é um “abandono completo do passado debilitante”, um abraço ao “monstro interior” e à necessidade de ordem e caos para uma vida completa.
O amor em sua forma mais pura e complexa
Gyllenhaal reflete sobre as diferentes facetas do amor, desde o idealizado até o mais real. “Acho que o amor verdadeiro tem que ter tudo”, declara a diretora, referindo-se à complexidade da relação entre a Noiva e Frank, que se amam apesar de suas “partes monstruosas”, mentiras, violência e raiva. Para Buckley, a autenticidade e a coragem de se questionar são fundamentais para ser humano, e a Noiva personifica essa busca por legitimar os próprios pensamentos e vontades, ignorando as normas sociais.
Uma homenagem ao cinema e à arte
A Noiva! também explora a relação de Frank com o cinema. Christian Bale descreve o monstro como alguém que encontra conforto nos filmes, desenvolvendo uma conexão quase parasocial com astros de musicais. “É uma bela saudação ao cinema e à narrativa”, analisa Bale. No entanto, Frank ultrapassa limites ao acreditar que os atores na tela o veem de volta, o que leva a uma decepção esmagadora. Essa experiência, contudo, ajuda a definir quem ele é e a aproximá-lo da Noiva, impulsionando a revolução que ela inicia. Buckley e outros membros do elenco compartilham seus próprios filmes de conforto, como Judy Garland para Buckley e obras de Almodóvar, Billy Wilder, Audrey Hepburn, Marilyn Monroe e comédias de Nancy Meyers para Penélope Cruz.
A revolução da Noiva, segundo Penélope Cruz, que interpreta uma personagem que luta contra ser subestimada por ser mulher, é um chamado à coragem para que as mulheres se manifestem e ocupem o lugar que merecem. “Conhecendo A Noiva, eu tenho a força para fazer essa pergunta [e pedir minha posição]”, conclui a atriz.
