Redes Sociais e a Infelicidade Juvenil: Uso Excessivo Afeta Bem-Estar, Especialmente de Meninas, Aponta Relatório Mundial

O Impacto do Uso Intensivo nas Redes Sociais

Um estudo abrangente, publicado no Relatório Mundial da Felicidade de 2026, aponta que o uso intensivo de redes sociais está diretamente ligado à infelicidade entre os jovens. A pesquisa, que consultou adolescentes de 15 anos em 50 países, indica que os efeitos negativos no bem-estar variam conforme a plataforma utilizada, o modo de uso e fatores demográficos como gênero e nível socioeconômico.

Os jovens que dedicam menos de uma hora diária às redes sociais demonstram níveis de bem-estar superiores, inclusive, àqueles que optam por não utilizá-las. No entanto, a média de uso entre os adolescentes alcança 2,5 horas por dia. “O uso excessivo está associado a um bem-estar significativamente menor, mas aqueles que optam deliberadamente por ficar longe das redes sociais também parecem estar perdendo alguns efeitos positivos”, afirma Jan-Emmanuel De Neve, diretor do Centro de Pesquisa sobre Bem-estar da Universidade de Oxford.

Meninas Mais Vulneráveis aos Efeitos Negativos

O relatório destaca que o impacto negativo das redes sociais é acentuado entre as jovens. Globalmente, meninas que usam as mídias sociais por um período de zero a uma hora diária relatam maior satisfação com suas vidas em comparação com usuárias frequentes. O aumento no tempo de uso correlaciona-se diretamente com a diminuição do nível de satisfação. Pesquisas anteriores já haviam associado plataformas como o Instagram a piora na autoimagem corporal, aumento de ansiedade, depressão e prejuízos na autoconfiança feminina.

Diante desse cenário, diversos países têm considerado medidas para restringir o acesso de menores às redes sociais. A Austrália elevou a idade mínima de 13 para 16 anos para o uso de dez plataformas, enquanto a Espanha planeja proibir o acesso para menores de 16 anos, exigindo sistemas de verificação de idade. A França também deu passos iniciais para vetar o uso por adolescentes de até 15 anos.

América Latina e Brasil Destacam-se em Felicidade

Em contrapartida, o estudo aponta que plataformas focadas em conexões sociais, como as predominantes na América Latina, apresentam uma relação positiva com a felicidade. Dados de sete países latino-americanos, incluindo o Brasil, revelam altos níveis de bem-estar entre os jovens, mesmo com um uso intenso de mídias sociais. Em contraste, jovens no Reino Unido e na Irlanda mostraram níveis de infelicidade superiores ao esperado para seu padrão de uso.

O relatório atribui essa diferença aos fortes laços familiares e sociais na América Latina. A Costa Rica, por exemplo, saltou da 23ª para a 4ª posição em um ranking de felicidade global. O Brasil figura na 32ª posição, à frente de países como França, Itália e Argentina. A Finlândia lidera o ranking pelo nono ano consecutivo, seguida por outros países nórdicos, creditados por seus sistemas de bem-estar social, igualdade e alta expectativa de vida. Os países com os menores índices de felicidade, por outro lado, enfrentam conflitos e instabilidade política.

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