Tapioca Club: Conheça o grupo brasileiro que une J-pop, cores vibrantes e empoderamento feminino há mais de uma década

A fusão de culturas que conquistou o Brasil

Em eventos de cultura pop asiática e no bairro da Liberdade, em São Paulo, é comum avistar um grupo vibrante de mulheres com roupas coloridas, cantando e dançando. Esse é o Tapioca Club, um projeto que nasceu em 2013 como um grupo cover de J-pop e evoluiu para uma iniciativa que celebra a amizade, a cultura de fãs e a liberdade criativa, completando mais de uma década de existência.

Criado por Clara Morango e Livia Cherry, que vinham de universos artísticos distintos – teatro e canto para Clara, balé para Livia –, o coletivo surgiu da paixão compartilhada pela música pop japonesa. O que começou como um hobby, logo ganhou contornos mais sérios. “Com o tempo veio a vontade de criar algo mais autoral, de construir uma identidade própria e não ficar só fazendo cover”, relembra Clara.

Um nome que une Brasil e Japão

O nome “Tapioca Club” foi escolhido a dedo para representar a fusão de culturas. “A gente queria um nome kawaii, mas que tivesse a ver com o Brasil. Tapioca é uma palavra muito brasileira, mas lembra as bolinhas da bebida bubble tea, que também são chamadas de tapioca no Japão. Achamos que era uma ponte perfeita entre os dois mundos”, explica Clara.

Atualmente, o Tapioca Club conta com sete integrantes fixas, mas a formação em shows pode variar devido à flexibilidade da estrutura, que se adapta às rotinas diversas das integrantes. Cada membro possui uma cor e um sabor associado à sua persona no palco, adicionando um toque lúdico e personalizado às apresentações.

Diversidade e empoderamento: a essência do Tapioca Club

Um dos aspectos mais cativantes do grupo é a presença de mãe e filha na formação. Kenim, que acompanhava a filha Lua Blueberry em eventos, passou a integrar o grupo e, com o apoio do marido, desenvolveu também uma carreira como cosmaker, produzindo figurinos para outros artistas. “Eu já tinha algumas noções de costura por causa da minha avó, então passei a fazer as roupas para todas as meninas”, conta Kenim, que hoje possui um ateliê em casa.

Fora dos palcos, as integrantes exercem profissões variadas. Mih Amora, por exemplo, trabalha com sistemas de informação e programação, encontrando no Tapioca Club uma válvula de escape criativo. “Virou um espaço onde eu posso viver esse lado artístico que sempre fez parte de mim. É uma forma de equilibrar a vida profissional com a arte”, afirma.

A filosofia do grupo se resume na frase “Ser kawaii é um ato revolucionário”. Em um país onde as expectativas sobre o comportamento de mulheres adultas são rígidas, o Tapioca Club desafia padrões. “No Japão, o kawaii começou como um movimento de contracultura. Era uma forma dos jovens desafiarem o que era esperado deles. Aqui ainda existe uma expectativa muito rígida sobre como mulheres adultas devem se comportar. Ou você é extremamente sexy ou é a figura da mãe perfeita. O kawaii não se encaixa em nenhum desses lugares”, pontua Clara.

O grupo, que inclui adultas e membros não binários, enfrenta comentários de ódio online, mas encara a situação com leveza e união. “Nossa música fala muito sobre continuar fazendo o que a gente ama, mesmo quando as pessoas não entendem ou criticam”, diz Candy. “Nossa integrante mais nova tem 19 anos e a mais velha tem 47. E está tudo bem. A gente acredita que não existe idade para fazer o que você ama”, reforça Clara.

Do cover à música autoral: um novo capítulo

A transição de covers para músicas autorais marcou um ponto de virada para o grupo. Com a mudança de Clara para o Japão, a necessidade de dar um passo maior na carreira se tornou evidente. Em apenas dois meses, produziram o primeiro single autoral, “Revolução Idol”. A música, que surgiu do contraste entre a vida cotidiana das integrantes e a paixão pelos palcos, tornou-se um manifesto contra as críticas recebidas nas redes sociais.

O Tapioca Club também se dedica a desmistificar a cultura idol japonesa, diferenciando-a do K-pop. Enquanto o pop sul-coreano foca na perfeição técnica, o J-pop idol valoriza a evolução, a proximidade com os fãs e a energia do palco, abraçando as imperfeições como parte do processo.

O movimento J-pop tem ganhado força no Brasil, com uma comunidade unida que se apoia mutuamente. “Os grupos idol são pequenos, mas todo mundo se apoia”, explica Kenim. “Às vezes acham que somos concorrentes, mas na verdade a gente se ajuda muito”. O grupo já participou do programa japonês “Sekai Kurabete Mitara” e prepara novos lançamentos e apresentações para 2026.

O segredo da longevidade do Tapioca Club, segundo as integrantes, é a manutenção da amizade e do sonho. “O Tapioca Club é uma democracia. A gente continua porque ama se apresentar e porque gosta de estar juntas”, resume Clara.

Deixe um comentário