O grupo K-pop encantou o público em sua estreia no país com looks que celebram a arte e a cultura brasileira, criados em colaboração com o estilista Francisco Terra e a artesã Camila Pedroza.
O primeiro show do grupo feminino de K-pop KATSEYE no Brasil, durante o Lollapalooza 2026, foi um marco de expectativa e conexão com o público. Além da performance aguardada, um detalhe que roubou a cena foram os looks das artistas, que chamaram atenção não apenas pelo impacto visual, mas pelo conceito que mesclava a estética da banda com a rica arte brasileira. As peças foram assinadas por Francisco Terra, estilista e diretor criativo da marca Maldito Paris, em colaboração com a artesã Camila Pedroza, responsável pelo trabalho em macramê azul.
Um Spoiler do Brasil no Palco
Francisco Terra explicou que a escolha dos looks foi pensada como um “spoiler” do próximo desfile da Maldito Paris e uma despedida de 2025, buscando “o calor do Brasil e do brasileiro”. A cor azul foi escolhida para remeter ao céu e ao mar do país, enquanto o macramê, técnica ancestral de tecelagem manual, trouxe o toque artesanal. “Por isso os maiôs e biquínis dos nossos infinitos quilômetros de costa. Por isso o artesanato do macramê em colaboração com Camila Pedroza”, detalhou o estilista.
Macramê: A Arte que Veste e Adorna
Camila Pedroza, a mestra por trás das peças em macramê, revelou que os looks para o Lollapalooza foram um desdobramento de criações para a coleção da Maldito Paris. “A gente gosta dessa roupa mais ajustada ao corpo. É sexy e sofisticada porque tem um trabalho de muitas mãos ali. É um orgulho enorme ver essas peças usadas por elas”, comentou em entrevista à Vogue Brasil. O macramê, que utiliza apenas nós e tramas sem agulhas ou máquinas, funcionou como uma joia têxtil, agregando valor e sofisticação às peças, que variavam entre bodies estruturados, tops recortados e construções vazadas.
Personalização e a Essência Brasileira
Cada integrante do KATSEYE teve um look pensado para refletir sua personalidade. Francisco Terra mergulhou no repertório individual de Sophia Laforteza, Daniela Avanzini, Lara Raj, Megan Skiendiel e Jeung Yoonchae. “Eu li e assisti a muitas entrevistas com cada uma das meninas e tentei ao máximo responder às particularidades e gostos de cada uma delas”, afirmou Terra. A proposta estética com o grupo já existia antes do projeto, facilitada pela liberdade criativa concedida por João Moraes, diretor de imagem da banda. A mistura de referências brasileiras buscou celebrar a diversidade cultural do país, que é um “melting pot de várias culturas”, refletindo a riqueza sonora do grupo.
Desafios de Performance e Identidade Cultural
Adaptar os looks às coreografias complexas do KATSEYE foi um dos maiores desafios. A equipe de Francisco Terra trabalhou em conjunto para garantir que as peças fossem funcionais, sem perder o conceito. O jeans desconstruído em saias curtas e as botas statement, também em denim, adicionaram peso e estilo, enquanto o uso estratégico de lycra garantiu a mobilidade necessária para a performance. A missão ia além de criar figurinos bonitos; era traduzir uma identidade que celebra a brasilidade de forma autêntica e sofisticada, conectando a moda à essência sonora do grupo.
Em suas redes sociais, o grupo agradeceu em português pela criação: “Muito obrigada por criar algo tão lindo e especial para o nosso show. Até a próxima, Brasil!”. Vale lembrar que o KATSEYE já demonstrou apreço por marcas brasileiras, tendo utilizado peças da SSJHENI, marca de upcycling, em um show na Colômbia, com looks inspirados nas cores da bandeira do país.
