Nova Palmeira: Turismo de Bem-Estar e Raízes Quilombolas Transformam o Seridó Paraibano

CENEP: Pilar do Bem-Estar e da Cultura no Semiárido

No coração do Seridó paraibano, Nova Palmeira emerge como um polo de turismo diferenciado, onde o bem-estar e a valorização da cultura local se entrelaçam. O Centro de Educação Popular (CENEP), sob a liderança de Maria de Lourdes Gomes, a Nega Lourdes, tem sido o motor dessa transformação por mais de três décadas. A ONG, que iniciou com foco na mobilização feminina e políticas públicas, expandiu suas ações para integrar saúde, educação e cultura. Seis imóveis do CENEP abrigam iniciativas como a Casa de Acolhimento Vó Elisa, que oferece atividades terapêuticas e de lazer para idosos, e a Oficina de Remédios Caseiros Irmã Consuelo, produzindo fitoterápicos para a atenção primária. O restaurante Tia Quinosa complementa a oferta com alimentação saudável e acessível, enquanto espaços culturais promovem dança, teatro e formações em terapias naturais.

Turismo de Experiência e “Turismo Prateado”

O turismo de bem-estar em Nova Palmeira é uma extensão natural das atividades do CENEP, combinando alimentação saudável, terapias naturais e experiências voltadas ao público da terceira idade. Marcílio de Sousa, gerente do Sebrae/PB em Araruna, destaca o potencial desses espaços como empreendimentos sustentáveis, capazes de gerar renda e empregos. “A capacidade instalada desses imóveis pode se transformar em oportunidade de ganhar uma renda extra e gerar novos postos de trabalho para a comunidade”, afirma Sousa, ressaltando que visitantes podem desfrutar de hospedagem, alimentação de qualidade, massagens e apresentações culturais, completando um ciclo de bem-estar.

Serra do Abreu: Resgate Histórico e Turismo de Base Comunitária

Paralelamente, o turismo de base comunitária ganha força com o desenvolvimento de uma rota no Quilombo Serra do Abreu. Esta iniciativa visa fortalecer o turismo através do reconhecimento e valorização dos saberes e da história local. A comunidade, que enfrentou períodos de esvaziamento devido à escassez hídrica, tem se reorganizado desde os anos 2000, com a chegada de políticas públicas e o reconhecimento oficial como comunidade quilombola em 2012. Atualmente, 37 famílias mantêm atividades como caprinocultura, produção de derivados de leite e agricultura de subsistência, impulsionadas por poços artesianos.

Tradição e Futuro na Serra do Abreu

A cerâmica artesanal, um legado passado por gerações e mantido por Maria da Guia Silva Santos, é um dos pilares culturais da Serra do Abreu. Iniciativas de turismo de vivência, conduzidas pela liderança comunitária Diana Barbosa, incluem trilhas pela caatinga e imersão nas práticas culturais locais. A produção de louça de barro, outrora essencial para a sobrevivência, hoje resiste como patrimônio cultural, com esforços para engajar os jovens e inovar no design das peças. A comunidade também planeja a criação de um pequeno museu em uma casa de taipa para preservar a memória e os modos de vida tradicionais. “Temos planos para desenvolver o turismo, que será nossa atividade principal daqui há alguns anos”, projeta Diana Barbosa. A combinação dessas iniciativas posiciona Nova Palmeira como um destino emergente, oferecendo não apenas belezas naturais, mas também conexão com práticas sustentáveis, saberes ancestrais e histórias de superação.

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